A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do BNDES aprovou relatório para indiciamentos de 52 nomes nesta terça-feira (22). Na lista estão os ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega, o ex-presidente do banco de fomento Luciano Coutinho e os empresários Emílio e Marcelo Odebrecht e Joesley e Wesley Batista.

O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) explica que foi aprovado o texto final do relator, deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), que retirou os nomes dos ex-presidentes à época do foco da CPI, 2003 a 2015. "O relator declinou de nomes que não consideramos plausível a retirada. Nenhum contrato de tamanha monta - bilhões de reais - seria realizado sem o aval de Lula e Dilma”, destacou.

Macris ainda ressalta que membros da comissão de inquérito apresentará o trabalho completo ao Ministério Público. “Nos próximos dias vamos ao procurador Augusto Aras entregar o relatório aprovado, mas, também, todo o estudo que a CPI do BNDES realizou nesses 210 dias de trabalho, onde são apontados os nomes e o envolvimento em cada caso da política oficial de incentivo às exportações de bens e serviços de engenharia e nas operações de favorecimento à JBS."

Nos últimos três anos, esta é a terceira CPI que tenta apurar possíveis irregularidades no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. As outras duas, uma da Câmara (2016) e uma do Senado (2018), não chegaram a resultados concretos.

Relatório

Além dos indiciamentos, o relatório aprovado pede a adoção de todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis para que o BNDES, enquanto acionista da JBS, seja ressarcido por todos os valores desviados, bem como a reparação dos prejuízos causados em razão da fraude na incorporação da Bertin S.A., estimada em R$ 25 bilhões, e a devolução de todos os valores desviados para o pagamento de propina a agentes públicos. Ainda reivindica a rescisão da deleção premiada dos irmãos Batista, indicando a imediata prisão dos mesmos.

“Foi aberta a caixa-preta do BNDES. Agora queremos todas as providências necessárias de indiciamentos, de processos e de condenação daqueles que usurparam a sociedade brasileira”, considera Macris.