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BR Político - 29.08.2019

Marcelo de Moraes

Presidente da CPI do BNDES e autor do requerimento que originou sua criação, o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) não tem dúvidas em afirmar que o relatório final da comissão vai mostrar que irregularidades graves foram cometidas com recursos do banco. Prevista para terminar em 22 de setembro, a CPI deverá ter uma prorrogação por mais trinta dias, até outubro, por conta do grande volume de dados que tem chegado para o exame da comissão. Em entrevista ao BRP, Macris afirma estar convencido que “o BNDES foi instrumento de interesses econômicos e políticos também”. E aponta a principal responsabilidade para os governos petistas. “O BNDES foi usado pelo PT, principalmente, e por outros partidos e grupos políticos também. Tal qual foi a Petrobrás”, diz.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

BRP – Quando propôs a criação da CPI, o senhor afirmava que haviam sido cometidas irregularidades com os recursos do BNDES. Com o avanço dos trabalhos da CPI, essa convicção se confirmou?

Macris – Mais do que nunca estou convencido de que o Banco foi usado para um projeto político partidário, ou de um grupo de partidos, e por alguns grupos econômicos. Ou seja, o BNDES foi instrumento de interesses econômicos e políticos também. Isso para mim está muito claro nessa CPI. É um trabalho que foi muito mal explicado para a sociedade brasileira. Nossa CPI, diferentemente de duas outras que aconteceram aqui, uma no Senado e outra na Câmara, que não chegaram à conclusão nenhuma, o nosso trabalho vai ser divulgado e a gente vai ter a conclusão. Até porque, a CPI é instrumento de pressão também. O próprio BNDES, neste momento, está interessado em aumentar a sua transparência. Isso está acontecendo já. Procedimentos serão sugeridos no relatório propondo mudanças de comportamento para o BNDES. O papel de fiscalizador do Legislativo está sendo executado com muita tranquilidade. Nosso trabalho aqui vai ter resultado.

BRP – A CPI pedirá indiciamento de alguém no relatório final?

Macris – Dezenas de pessoas, provavelmente. Políticos, empresários. O relator Altineu Côrtes (PL-RJ) hoje tem bastante instrumentos de informação bastante denso para poder apresentar indiciamentos.

BRP – A CPI abrange o período de governos do PT, de 2003 a 2015. O senhor está convicto que, nos governos petistas, houve uso político do BNDES com irregularidades financeiras sendo cometidas com recursos do banco?

Macris – Com certeza. Muita gente se beneficiou disso. Alguns depoimentos que tivemos aqui foram muito claros. Além disso, estamos fazendo cruzamentos de informações com documentos que nós temos. Não é só com os depoimentos. Está muito claro para mim. O BNDES foi instrumento. Foi usado.

BRP – Pelo PT?

Macris – Pelo PT, principalmente, e por outros partidos e outros grupos políticos também. Tal qual foi a Petrobrás. Nós não tivemos a Lava Jato do BNDES. Estamos tentando fazer aqui na CPI um pequeno papel de Lava Jato, que é levantando todas as relações promíscuas que nós conseguimos identificar aqui utilizando o BNDES como instrumento.

BRP – O que mais impressionou o senhor nas descobertas feitas pela CPI até agora?

Macris – Primeiro, ver que os mesmos grupos que atuaram nas irregularidades da Petrobrás atuaram aqui também. Especialmente dois grandes grupos, a JBS e a Odebrecht, para citar dois dos maiores que têm sido foco aqui. É muito clara a utilização desse instrumento chamado BNDES. E o que me chama a atenção é que eles procuraram preservar o BNDES. Porque imaginavam que lá na frente poderiam continuar usando como instrumento, que foi muito importante para eles. E a JBS, foi mostrado aqui com todas as letras, teve uma ação predatória que usaram no País, com os recursos do BNDES, patrocinado pela gestão de então do PT.

BRP – O senhor diria que os recursos do BNDES foram assaltados?

Macris – Se você olhar o Brasil de cima me parece o seguinte: houve uma grande articulação, um grande planejamento, de assalto ao dinheiro público. Olhando de cima: onde é que tem dinheiro nesse País aqui? Petrobrás e BNDES.

BRP – A CPI vai ser prorrogada novamente?

Macris – Nós tínhamos a ideia de terminar no dia 22, mas, infelizmente, não vai ser possível porque é muito grande o volume de documentos que estamos recebendo, vindos de delações premiadas, ou de informações de órgãos que foram solicitadas por requerimentos aprovados na comissão. Vamos pedir uma prorrogação de mais 30 dias apenas para nos debruçarmos sobre todo esse material. Os depoimentos estão praticamente finalizados. Teremos mais uma ou duas semanas de depoimentos. Mas foi suficiente para a gente ter uma visão geral e poder apresentar o relatório.

Matéria publicada: https://brpolitico.com.br/noticias/macris-cpi-do-bndes-vai-pedir-indiciamento-de-dezenas-de-pessoas/

*Clipping - Este material não é de autoria da Assessoria do Deputado Federal Vanderlei Macris. São notícias selecionadas que constam a participação do parlamentar.