Carta de Formulação e Mobilização Política - Segunda-feira, 15 de maio de 2017 - nº 1.583. Concluída às 10h59

Recordar as diferenças entre o Brasil de hoje e o de um ano atrás é imperativo para que a população não volte a ser enganada pelos mesmos que nos levaram ao desastre

Só a irracionalidade e o sectarismo que contaminam as discussões no Brasil nos dias atuais impedem a constatação de que o balanço de um ano de governo do presidente Michel Temer é positivo. Até maio do ano passado, o país marchava aceleradamente para o abismo, que agora só se avista se retrocedermos em 2018 às mãos dos mesmos que nos levaram à destruição.

É claro que leva tempo, muito tempo, para que tantos e tamanhos estragos legados pelo antigo regime se revertam. Esperar que um governo transitório, que recebeu um país nas condições em que Temer recebeu e que enfrenta a oposição raivosa dos antigos governantes como a que fazem o PT e seus satélites, conseguisse mais do que a atual gestão conseguiu é ilusão sem tamanho.

Da desesperança que representava a continuidade de um governo sob o comando do PT passamos a respirar com a perspectiva de melhores ares. É grande a distância que separa a realidade atual daquela em que estávamos mergulhados, sem qualquer sombra de esperança, até maio passado, a despeito dos muitos problemas que se mantêm. 

O cerne deste um ano de governo Temer foi a economia. E não tinha como ser diferente. Simplesmente porque a atividade produtiva tinha parado e o Estado brasileiro fora levado a uma condição de pré-falência. Sem as reformas, o que aconteceria (ou melhor, já estava acontecendo sob Dilma) é que as ações sociais e assistenciais minguariam a ponto de sumir, o governo pararia e as fábricas cerrariam ainda mais portas. 

Diante desse desafio, o primeiro feito de Temer foi conseguir limitar os gastos, medida básica, fundamental para que o país voltasse a ter horizontes. Ao mesmo tempo foram lançadas as reformas estruturais, com a trabalhista já aprovada e a previdenciária avançando sob intenso bombardeiro dos que preferem deixar tudo como está para ver como é que fica (sabemos que não fica...). 

Já deixamos para trás o fantasma do descontrole inflacionário e estamos avançando na redução das taxas de juros. Não é pouco. Os investimentos privados estão voltando a acontecer – o aporte de recursos de estrangeiros direcionados a novos negócios no país foi recorde no primeiro trimestre – e ocupam a lacuna deixada pelos governos. Resta acelerar a agenda de concessões e privatizações.

Recordar as diferenças entre o Brasil de hoje e o de um ano atrás é imperativo também para que a população não volte a ser enganada pelos mesmos que nos levaram ao desastre. 

É incrível, mas os responsáveis pela maior recessão da nossa história, pelo empobrecimento geral dos brasileiros, com queda acima de 10% na renda per capita, e pelo maior assalto aos cofres públicos que o país já viu estão por aí, livres, leves e soltos, tentando ditar regras. Será desfaçatez, má-fé ou apenas muita cara de pau?

Isso não significa que tudo esteja bem. Não está. Até porque não tinha como estar, em tão pouco tempo, diante de tanta ruína legada pelo PT de Lula e de Dilma. Ainda será preciso muito trabalho para consertar.  

O principal desafio do país continua a ser voltar a gerar emprego. O Brasil vai precisar crescer de forma consistente e redefinir sua agenda para que o bem-estar retorne. Isso implica fazer escolhas, redefinir prioridades e, sobretudo, não reincidir no caminho do populismo. É na responsabilidade que está o rumo que nos levará a dias melhores. 

Tem gente por aí dizendo que antes é que era bom e, pior, propondo a retomada da agenda falida que os petistas adotam e adoram. Seria a rota mais curta de volta para o inferno de um ano atrás. O que o país quer é um futuro melhor e não o retorno a um passado do qual devemos manter profilática distância.

Este e outros textos analíticos sobre a conjuntura política e econômica estão disponíveis na página do Instituto Teotônio Vilela.