A audiência com os ministros do Trabalho e Emprego, da Secretaria-Geral da Presidência da República e da Controladoria-Geral da União (CGU) movimentou a Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (26). Em debate com o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) destacou que o governo petista faz "política do aparelhamento" e do "paternalismo" com dinheiro público.

Convocados, Manoel Dias, do Trabalho, Jorge Hage Sobrinho, da CGU, e Gilberto Carvalho deram explicações na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara sobre irregularidades em repasses do governo a organizações não-governamentais (ONGs) e sobre o patrocínio do governo federal a uma feira de produtos agroecológicos em Brasília (DF), promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Foi destiando R$ 1,150 milhão para o evento, que terminou em violência entre manifestantes do grupo com policiais militares na Praça dos Três Poderes.

O ministro do Trabalho negou envolvimento em esquema para empregar militantes do PDT, seu partido, como funcionários "fantasmas" da ONG ADRVale, em Santa Catarina. Iniciado em 2008, a ADRVale era beneficiária de convênios com a pasta até 2011, quando, segundo ele,os contratos que tinham o ministério foram cancelados.

Sobre o envolvimento do seu nome no esquema que desviou R$ 47,5 milhões, Manoel Dias informou que sempre atuou corretamente. "A minha vida não vale tão pouco assim."

Já o ministro Gilberto Carvalho contou que as relações do governo com o MST é de modo a promover o trabalho agrícola e as boas práticas do grupo, assim como faz com outros movimentos. "Nós criamos uma rede de sustentação [às famílias carentes] que os deixa muito nervosos", disse em relação aos parlamentares de oposição. Em resposta, o deputado Macris foi direto. "O senhor se referiu ao meu governo, PSDB, Fernando Henrique Cardoso. Os pobres, ministro, foram defendidos quando controlamos a inflação. Os pobres foram defendidos quando popularizamos a comunicação. Os pobres foram defendidos quando criamos a Lei de Responsabilidade Fiscal, que garantiu maior importância e responsabilidade para os prefeitos desse Brasil a fora que não sabiam gastar dinheiro e dinheiro público gasto sempre a mais do que se arrecadava. Isso foi defesa dos pobres, porque sobrou mais dinheiro para fazer investimentos onde precisava. Os pobres foram defendidos, senhor ministro, quando criamos os programas da rede social. Essas foram as grandes e importantes políticas que nós assumimos", ressaltou o deputado tucano. "Vocês fazem a política do controle, a política do aparelhamento, a política do paternalismo. Essa é a pior questão, com dinheiro público!", finalizou Macris.

(Foto: Alexssandro Loyola)