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Em face dos acontecimentos e da situação que passa a população, causou grande estranheza nesta semana a distorção da realidade das autoridades do governo Federal. Esta avaliação não é embate político, e, sim, a percepção de que o país tem uma gestão que não vai às ruas ou dialoga com os cidadãos.

No último dia 7 o ministro da Economia Paulo Guedes esteve em audiência pública na Câmara dos Deputados por mim convocado e, questionado sobre os constantes aumentos dos preços e taxas pagas pela população, disse que o Brasil está saindo da crise, no que diz respeito ao PIB, melhor do que países desenvolvidos, citando dados comparativos da Inglaterra, Itália e da França.

A realidade fora dos gabinetes e do Palácio do Planalto é outra e a população conhece muito bem. Hoje, o valor médio de um botijão de gás equivale a 10% do salário mínimo; a tarifa de energia elétrica teve aumento de 52%; o preço do litro dos combustíveis onera todos os custos dos bens e serviços necessários para os cidadãos; e o poder aquisitivo é ínfimo e penoso para as famílias. O ministro dizer que a economia brasileira volta em “V”, alegando que a recuperação da produção das indústrias, dos bens e serviços está em plena retomada é, no mínimo, ilusório.

Para a economia se estabelecer, há que ser ter compromisso com a imunização das pessoas neste momento de pandemia, garantindo que haja uma retomada segura para os consumidores e as empresas à nível Brasil! Mas, segundo Guedes, a “vacinação em massa está acontecendo”. E ele, assim como o governo, “valoriza a vacina”.

Outro fato que confronta a realidade das famílias é a portaria do próprio Ministério da Economia que alterou as regras para a aplicação do limite remuneratório, onde permitiu que, a partir de maio, um grupo de servidores passasse a receber salários acima do valor máximo previsto na Constituição, que é de R$ 39,2 mil - salário dos ministros do STF.

A mudança beneficiou os ministros do governo federal e o próprio presidente da República em momento em que há medidas de proibição de aumento de salário, proibição de ascensões na carreira e proibição de novas contratações.

Com a portaria, por exemplo, o salário do ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, teve acréscimo de 69%, passando a receber R$ 66,4 mil.

Na Câmara dos Deputados, desde 2018 estamos insistindo na votação do Fim dos Superpersalários – PL 6726/2016 –, e, no sentido oposto, a Casa Civil e o Ministério da Economia dizem que a portaria apenas disciplinou entendimentos do Supremo e do TCU. Essa “disciplina” vai gerar um gasto adicional de R$ 181 milhões para a população já em 2021.

Se esta distorção dos fatos do governo Federal não é ilegal, é imoral!